História das Principais Uvas Viníferas

Por trás de cada grande vinho existe uma uva — e, antes dela, uma história.Como sommelière, aprendi que conhecer as uvas viníferas é muito mais do que decorar nomes ou regiões: é compreender a origem do sabor, da textura e da emoção que encontramos na taça. Cada casta carrega séculos de tradição, adaptação ao terroir e escolhas humanas. Algumas nasceram discretas e ganharam o mundo; outras quase desapareceram antes de serem redescobertas. A seguir, compartilho um pouco da história das principais uvas do vinho, aquelas que moldaram a enologia como a conhecemos hoje — e que sigo encontrando, em diferentes expressões, nos rótulos que mais me encantam. Bordeaux, França Cabernet Sauvignon Surgiu de um cruzamento natural no século XVII entre Cabernet Franc e Sauvignon Blanc, tornando-se a base dos grandes vinhos de Bordeaux. Loire, França Cabernet Franc Mãe da Cabernet Sauvignon, a Cabernet Franc é mais aromática e delicada. No Loire, mostra leveza e frescor; em Bordeaux, contribui com elegância aos cortes. É uma uva que merece atenção própria. Borgonha, França Pinot Noir Uma das castas mais antigas, cultivada desde a época romana. Notória por sua delicadeza e dificuldade no cultivo, mas também por dar origem a vinhos sublimes. Loire, França Sauvignon Blanc Nascida no Loire, foi batizada de “sauvage” (selvagem) por crescer livremente. Tornou-se célebre tanto nos vinhos frescos do Loire quanto nos tropicais da Nova Zelândia. Borgonha, França Chardonnay Herdeira da Borgonha, ganhou o mundo por sua versatilidade. Seu nome vem da vila de Chardonnay, na região da Borgonha, onde foi consolidada. Bordeaux, França Carménère Foi quase extinta na Europa após a filoxera. Redescoberta no Chile nos anos 1990, quando se pensava que era Merlot — um verdadeiro renascimento. Cahors, França Malbec Conhecida como “Côt” na França medieval, era popular em Bordeaux. Encontrou nos Andes argentinos seu lar definitivo, tornando-se ícone nacional. Vale do Rhône, França Syrah/Shiraz Sua origem remonta ao sudeste da França, embora lendas a liguem à cidade persa de Shiraz. A genética confirma: é francesa, mas carrega mitos globais. Piemonte, Itália Nebbiolo A Nebbiolo dá origem a vinhos intensos e longevos, como Barolo e Barbaresco. Taninos marcantes, acidez elevada e complexidade aromática fazem dela uma uva de contemplação e tempo. Bordeaux, França Merlot Criada em Bordeaux, ganhou fama por sua maciez. Seu nome vem de “merle” (melro, em francês), pássaro que adora suas uvas escuras. Espanha Tempranillo Base dos grandes vinhos espanhóis, como Rioja e Ribera del Duero, a Tempranillo amadurece cedo e se adapta muito bem ao envelhecimento em barrica. Produz vinhos equilibrados, estruturados e profundamente gastronômicos. Toscana, Itália Sangiovese A Sangiovese é a alma da Toscana. Presente no Chianti e no Brunello di Montalcino, entrega acidez vibrante, taninos firmes e aromas de cereja. Uma uva que conversa diretamente com a mesa. Alemanha Riesling Poucas uvas brancas expressam tanto o terroir quanto a Riesling. Da Alemanha para o mundo, é capaz de produzir vinhos secos, doces e extremamente longevos, sempre com frescor e precisão. Loire, França Chenin Blanc A Chenin Blanc é uma das uvas mais completas que conheço. Pode gerar vinhos secos, doces e espumantes, sempre com alta acidez e grande capacidade de envelhecimento. Alsácia, França Gewürztraminer A Gewürztraminer é intensidade pura: flores, especiarias e frutas exóticas. Produz vinhos aromáticos, encorpados e de personalidade marcante — não passam despercebidos. Conhecer as uvas viníferas é abrir uma porta para o universo do vinho. Cada casta conta uma história diferente, mas todas têm algo em comum: a capacidade de transformar terra, clima e tempo em emoção líquida. Na Granvine, temos rótulos cuidadosamente selecionados, vindos de diferentes regiões e estilos produzidos com as uvas aqui citadas. Se você deseja explorar essas castas na prática — na taça, com orientação e curadoria — será um prazer receber você na loja e compartilhar essa experiência. O vinho começa na uva, mas ganha sentido somente quando é degustado. Um brinde! 🍷 Vanda MendesSommelière, Granvine